"Os inimigos dos EUA nunca deixam de pensar em novas formas de prejudicar o nosso país e o nosso povo; tampouco nós"
George W. Bush, presidente dos EUA, em mais um de seus lapsos verbais, no evento de assinatura do orçamento militar do ano que vem.
Caramba (ola)!
Pelos meus dez anos, eu sempre ia passar férias na casa de minha avó, em Parnaíba. Lá tinha um pé de carambola, fruta da qual ela sempre fazia um delicioso suco. Ontem tomei o bendito refresco (feito com carambolas importadas direto do pé da casa da mãe de minha mãe), o que me remeteu imediatamente à minha saudosa infância. Bons tempos. Minhas maiores preocupações eram coisas ínfimas como completar a coleção de
Comandos Em Ação, preencher o álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro de Futebol, ser o
Changeman vermelho nas brincadeiras com os amigos e outras besteiras sem importância. Infelizmente a gente cresce e quanto mais entende do mundo mais se convence que o nível de consciência de uma pessoa é inversamente proporcional ao seu nível de conforto mental. Só mesmo os alienados ou conformados conseguem manter a inocência pueril e ficam alheios aos absurdos que nos cercam nesse mundo incongruente. Alguns alegam apenas falta de interesse, mas não concebo a indignação não tocar essas mentes que, segundo seus corpos (mais precisamente, suas bocas), não têm nada de ineptas.
Confesso que estava meio dormente. Outro estado um tanto quanto confortável, mas facilmente abalável.
Fahrenheit 9/11, o novo documentário de Michael Moore, foi um flamante mais do que suficiente para tirar meus neurônios revoltados da letargia. O filme é dedicado exclusivamente a denunciar as peripécias escusas de George W. Bush. Fraudar explicitamente as eleições presidenciais foi só o começo. O caubói texano aparece como o maior beneficiado com o
11 de setembro. Dando vazão às suas tendências direitistas, ele usa o medo - criado por uma ameaça constante que é o terrorismo - como arma para controlar o país, justificar guerras infindáveis, restringir a famigerada liberdade americana e - seguindo os preceitos de
1984, de George Orwell - sobreviver no poder. O documentário mostra ainda como o presidente americano manipulou a imprensa e a opinião pública fazendo-as apoiarem a invasão do Iraque, mesmo não havendo provas do envolvimento do país nos atentados e sendo fato consumado que o verdadeiro motivo era a vontade de ficar com o petróleo local para si, além de concretizar a vingança de Bush pai contra Sadam. Mostra ainda o sofrimento do povo iraquiano com o conflito e depoimentos de soldados americanos desiludidos com o mesmo. E quem pensava que a relação amistosa entre os Estados Unidos e Bin Laden limitava-se aos anos 80, quando o saudita foi armado pelos yankees para "defender" o Afeganistão do comunismo soviético, engana-se. As famílias Bush e Bin Laden têm uma ligação afetiva e financeira de longa data. Bush pai trabalhou para empresas que recebiam investimento dos carinhas de turbante. Empresas essas que, ironicamente, lucraram muitos por centos após os atentados por prestarem serviços de defesa à nação. Suspeito...
Mas podemos perguntar: e o que Moore diz é verdade? Bem, ele ofereceu uma recompensa de U$ 10 mil a quem achar um único furo nas informações despejadas pelo longa. É um risco considerável, pois apesar de ser direcionado ao público votante americano, o filme já foi visto por milhares de pessoas no mundo inteiro, faturando já mais de U$100 milhões. Até os soldados americanos no Iraque exigiram sua exibição. O último trabalho do
Chacrinha americano,
Tiros Em Columbie, ganhou o Oscar de melhor documentário e
Fahrenheit 9/11 encaminha-se para o mesmo destino. Já foi premiado com a Palma de Ouro e o Prêmio FIPRESCI, no Festival de Cannes.
Indignar-se é o mínimo que uma pessoa normal faz ao assistir tantas denúncias. Mas se você tem coisa melhor parar se preocupar, posso falar com a minha avó e ela te faz um suco de carambola para acompanhar seu ócio cerebral (im) produtivo.
pensado por Claudio Mendes 4:21 PM
|
Terça-feira, Agosto 03, 2004
Que bom seria se todos os dias acordassem assim...
pensado por Claudio Mendes 11:23 AM
|
Domingo, Agosto 01, 2004
" Você passa e não me olha
Mas eu olho pra você
Você não me diz nada
Mas eu digo pra você
Você por mim não chora
Mas eu choro por você"
(Jorge Ben)
pensado por Claudio Mendes 1:12 PM
|