Seria bom se pudéssemos gritar a qualquer hora e em qualquer lugar. Não tô falando de um gritinho qualquer. Mas daqueles berros tarzânicos que levam consigo toda uma agonia momentânea. Têm vezes que eles não levam nada, porém, nos concebem um pequeno prazer de ter compartilhado a dor com alguém, nem que seja um vizinho que acordou assustado. Até se sua conseqüência for só rouquidão, o grito é válido. É como chorar, só que de uma forma agressiva. É como um "foda-se" para o mundo, mesmo que ele se resuma às pessoas que ouviram seu rugido. É como um cristão viver sabendo que não existe purgatório e, depois de já ter confirmado sua vaga no inferno, querer continuar fazendo merda, já que seu destino pós-morte já está selado. É como querer dar motivo para as reclamações que vêm mesmo sem ele existir. Enfim, é o desabafo do homem primitivo. A saída dos que não têm uma boa oratória. O palavrão camuflado. O ínterim que evita que joguemos na parede o objeto pesado mais próximo. O resumo da agonia insuportável.
Então gritem, agoniados do mundo. Gritem!
pensado por Claudio Mendes 8:42 PM